Uma reflexão sobre esforço, esquecimento e a forma como aprendemos no ensino superior
Estudar muito e esquecer rápido: um problema comum na universidade
Estudar muitas horas é, para muitos universitários, quase um sinônimo de compromisso com o curso. Longas noites de leitura, resumos intermináveis e revisões repetidas costumam ser vistas como sinais de que o estudante está “fazendo sua parte”. Ainda assim, não é raro que, poucos dias depois de uma prova, grande parte do conteúdo simplesmente desapareça da memória.
Por que estudamos tanto e ainda assim esquecemos o conteúdo
Esse esquecimento rápido costuma gerar um incômodo silencioso. O estudante se esforça, cumpre horários, sacrifica fins de semana — e mesmo assim sente que aprende menos do que deveria. Em vez de questionar a forma de estudar, muitas vezes ele conclui que o problema está em si: falta de inteligência, de foco ou de disciplina. Esse raciocínio, porém, desloca a questão para o lugar errado.
Estudar não é aprender: entendendo essa diferença na universidade
O ponto central é que estudar não é o mesmo que aprender. Estudar pode significar apenas entrar em contato com o conteúdo: ler, sublinhar, copiar, assistir a aulas. Aprender, por outro lado, envolve compreender, reorganizar ideias, estabelecer relações e ser capaz de usar o conhecimento em contextos diferentes. Quando essas duas coisas são confundidas, cria-se a falsa impressão de que o esforço, por si só, garante aprendizagem.

Por que esquecemos o que estudamos tão rápido?
É justamente essa confusão que ajuda a explicar por que o esquecimento acontece. Quando o estudo se limita à repetição ou ao reconhecimento superficial das informações, o conteúdo não se fixa de forma significativa. Ele permanece frágil, dependente do contexto imediato — como a prova da semana — e tende a desaparecer assim que deixa de ser exigido. Não se trata de um defeito da memória, mas de um modo de estudar que não favorece a construção do conhecimento.
Quando achamos que entendemos, mas não conseguimos explicar
Um exemplo comum disso ocorre quando o estudante lê um texto e sente que “entendeu tudo”. As ideias parecem claras enquanto a leitura acontece, mas, ao tentar explicá-las com as próprias palavras ou aplicá-las em uma questão diferente, surge o bloqueio. A compreensão era apenas aparente: o conteúdo foi reconhecido, mas não realmente apropriado. Esse tipo de experiência reforça a sensação de frustração e confusão sobre o próprio desempenho.

Por que estudar mais horas não garante aprender melhor
Diante desse cenário, a resposta mais imediata costuma ser aumentar a carga de estudo: mais horas, mais resumos, mais exercícios. A lógica parece simples — se não funcionou, é porque não foi suficiente. No entanto, insistir apenas na quantidade tende a repetir o mesmo erro. Sem mudar a forma de estudar, o aumento do tempo investido raramente se traduz em aprendizagem mais sólida.
Como estudar melhor: consciência e estratégia na aprendizagem universitária
É nesse ponto que entra a necessidade de consciência e estratégia. Aprender exige que o estudante reflita sobre como estuda, identifique o que realmente compreende e reconheça onde estão suas dificuldades. Essa atenção ao próprio processo de aprendizagem — conhecida como metacognição — permite sair do estudo automático e assumir uma postura mais ativa, em que o esforço é orientado por escolhas intencionais.
Repensar a forma de estudar: o primeiro passo para aprender melhor
Talvez, então, o problema não esteja na quantidade de tempo dedicada aos estudos, mas na forma como esse tempo é utilizado. Compreender essa diferença é um primeiro passo decisivo para transformar o estudo em aprendizagem. Nos próximos textos, vamos aprofundar essa reflexão e discutir caminhos para construir um modo de estudar mais consciente e coerente com a realidade universitária.

Por trás do Entre Saberes
O EntreSaberes.com, parte do Projeto Pegadas do Saber, nasce do compromisso com uma aprendizagem mais consciente e significativa. Aqui, estudar não é apenas acumular conteúdos, mas desenvolver autonomia, reflexão e curiosidade intelectual ao longo da trajetória acadêmica e formativa.
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Leitura Recomendada
Para seguir aprofundando essa discussão, você pode se interessar por estes textos:
- Você estuda… mas sabe como aprende? O papel da consciência no estudo universitário
- Por que estudar mais não resolve dificuldades de aprendizagem
- Aprender exige método? Repensando hábitos de estudo
Para continuar pensando…
Este texto dialoga com a sua experiência como estudante?
Que parte mais te fez repensar a forma como você organiza seus estudos hoje?